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Leia na Fonte: Teleco
[08/11/04] MVNO -
O que está faltando? - por Raul Aguirre
Managing Partner da DiamondCluster International no Brasil e América Latina
No mundo, diversos gurus de management têm enfocado ultimamente no potencial
econômico dos chamados BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China). Em particular,
renomados pensadores de negócios, como C.K. Prahalad têm falado da riqueza no
fundo da pirâmide social desses paises como uma riqueza potencial suficiente
para gerar bons negócios para empresas com modelos de negócio diferentes,
enxutos e inovadores. Nessa linha também foi pioneiro o economista peruano
Hernando de Soto, elogiado publicamente até pelo governo Reagan pelas suas
idéias de como liberar o capitalismo preso no fundo da mencionada pirâmide
social.
Um dos temas que atinge em cheio a indústria de "wireless communications" é o do
crescimento nas camadas menos favorecidas da população. Justamente o tema é se
há negócio em se continuar a vender telefones celulares para usuários
tipificados como de baixo ingresso e, pior ainda, de baixa lealdade. E não são
outros os "drivers" que podemos identificar como componentes ideais - do lado da
demanda - para o surgimento do que poderia ser a versão brasileira (ou latina)
dos Mobile Virtual Network Operators, os chamados MVNOs.
Como o nome o indica, perdão para os entendidos, o MVNO é um operador que não
possui rede própria, mas opera comprando minutos das operadoras existentes no
atacado e vendendo - os no varejo. Não entraremos aqui no debate técnico de
definir exatamente se, mesmo assim, é necessário que o MVNO possua alguns
componentes mínimos de sistemas ou até de rede, mas é bom especificar que os
modelos mais puros implicam que o MVNO realmente não possui inteligência de
sistemas ou até serviço ao cliente. Outros modelos, porem, assumem que o MVNO
investe sim em inteligência de rede e de serviço ao cliente, com vistas a
segmentos não necessariamente menos favorecidos e sim visando atingir alguma
comunidade de moda ou "trendy".
A questão chave é essa mesma. Se as operadoras tradicionais hesitarem ou até não
verem o negócio de se expandir maciçamente para o "low end" da população, será
que isto seria negócio para algum tipo de MVNO?
Um elemento necessário é uma marca forte, ou melhor ainda uma comunidade que já
responda a uma marca ou identidade forte. Uma proposta simples e barata
acompanhada por um senso de identidade. Isto, certamente, é exatamente o que as
tradicionais estão fazendo há algum tempo no mundo todo, somente que não no "low
end" verdadeiro, no caso da América Latina e o Brasil.
Na questão da marca ou "comunidade" surgem então algumas idéias de candidatos
mais naturais do que outros, a saber:
Grandes nomes da televisão (alguns artistas já foram usados para ofertas
segmentadas);
Grandes varejistas (que até já vendem celular significativamente) Igrejas?
(comunidades);
Livrarias (sim, grandes redes de livrarias onde nas metrópoles já virou programa
ir nos finais de semana, como a Virgin Records no Reino Unido);
Empresas de Tickets para refeições, (que tem um meio de pagamento já
estabelecido e aceito);
Instituições financeiras enfocadas no "mass market"?
Nestes exemplos, a comunidade já existe, ou seja, as pessoas JÁ freqüentam ou as
pessoas JÁ acreditam ou as pessoas JÁ se identificam com algum ícone. Esse é o
fator mais importante. O cliente potencial JÁ é da marca e pertence a uma
comunidade suficientemente significativa e com potencial de crescer. A
DiamondCluster foi procurada recentemente por um empreendedor interessado no
MVNO de uma famosa modelo.
Mesmo sem as conversas progredirem, a probabilidade de tal projeto avançar era
mínima, justamente pela falta de representatividade do ícone, sem entrar na
discussão sobre modelos e sociedade.
Agora bem, de que tipo de produto estamos falando no caso das economias
latino-americanas? Façamos uma digressão momentânea e abordemos o caso da
indústria automobilística na nossa região. Basta dar uma volta de carro por Lima
ou por Bogotá - para não viajarmos para geografias mais longínquas - para
perceber a presença significativa de veículos minúsculos, que certamente não
possuem homologação para transitar nas ruas ou estradas dos países mais
desenvolvidos.
Esses veículos, provenientes majoritariamente da Ásia, porém, atendem às
necessidades de segmentos significativos de uma população que não pretende
esperar por soluções mais tradicionais e caras. E o "Smart"?
O que isso tem a ver com os nossos celulares? Nada e tudo. O fenômeno ilustra,
no meu modo de ver, que é possível achar negócios rentáveis atendendo segmentos
no fundo da pirâmide em países de grandes massas menos afluentes. Justamente a
entrada de marcas e fabricantes novos de celulares muito baratos e sem grande
sofisticação (desnecessária) pode ser um elemento que favoreça ainda mais a
aparição de uma operadora virtual de celulares.
Um outro tema crítico é o da regulamentação. Muitos dos MVNOs lançados na Europa
e Ásia respondem aos anseios dos reguladores, que visam introduzir mais
competição ainda (ver quadro abaixo). Já no caso da América Latina e do Brasil,
a questão poderia ser mais a que tratamos aqui, ou seja a da penetração junto a
mais camadas da população. A questão chave seria o regime de interconexão ao
qual estas MVNOs seriam submetidas, cuidando das questões de "fairness" com os
investimentos das operadoras atuais. O modelo ideal implicaria vantagens para as
tradicionais em vender minutos para segmentos não almejados, mas ao mesmo tempo
com atratividade para as MVNOs.
Tema complexo e com muitos interesses em jogo, e com uma modelagem econômica
diferente e suficientemente complexa.
ALGUMAS DECLARAÇÕES SOBRE MVNOS EM 2004
Mês
|
País
|
Empresa |
Status |
Maio |
Itália
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Tele2
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Informou que está interessada em entrar no mercado como MVNO. |
Maio |
Bélgica
|
Telenet
|
Informou que assinou acordo com BASE para operar serviços celulares usando a rede da Base. |
Abril |
Noruega
|
Chess
|
Assinou acordo com Telenor para oferecer serviços após o cancelamento do acordo com a Vodaphone. |
Mar |
Canadá
|
Virgin
|
Anunciou planos de operar no Canadá em parceria com a empresa canadense Bell Mobility. |
Mar |
US
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Qwest
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Lançamento de MVNO sobre a rede da Sprint . |
Fev |
US
|
AT&T
|
Declarou que poderia lançar uma rede MVNO após a venda da AT&T Wireless para a Cingular. |
Fev |
França
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Tele2
|
Informou que pretende entrar no mercado como MVNO em Abril de 2005. |
Fev |
Eslovênia
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Debitel
|
Lançou a primeira rede de MVNO 3G usando a rede WCDMA da Mobitel. |
Fev |
Finlândia
|
Tele2
|
Lançou rede MVNO usando a rede GSM da Radiolinja Origo. |
Jan |
UK
|
EasyGroup
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Anunciou estar em discussão com operadoras. |
Jan |
Holanda
|
Scarlet
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A empresa de telefonia fixa entra no mercado por meio de um acordo de MVNO com a Orange. |
Jan |
China
|
Telstra
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Declarou que gostaria de entrar no mercado chinês por meio de sua subsidiária CSL (Honk Kong). A China ainda não autorizou a operação de MVNOs. |
Jan |
Irlanda
|
-
|
O órgão regulador propõe que a Vodafone e a Ozopen permitam o uso de sua rede por MVNOs. |
Fonte: Global Mobile