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Fonte: JusBrasil
[26/06/09]
Deputados vão pedir informações sobre reativação da Telebrás
Os deputados Julio Semeghini (PSDB-SP) e Paulo Bornhausen (DEM-SC) deverão
apresentar nos próximos dias um requerimento de informações para que os
ministérios das Comunicações e do Planejamento e a Casa Civil se manifestem
sobre a suposta reativação da empresa Telebrás pelo governo federal.
O anúncio foi feito pelos dois parlamentares durante a audiência pública da
Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática que discutiu o tema
nesta terça-feira. De acordo com Bornhausen, autor do requerimento para a
realização do debate, o Executivo estuda a possibilidade de reativar a companhia
para gerir programas de inclusão digital ou como prestadora de serviços de
telecomunicações para órgãos governamentais. Porém, o governo não participou da
audiência. Convidados, os ministérios das Comunicações e do Planejamento e a
própria Telebrás não mandaram representantes. O único órgão estatal presente foi
a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A Telebrás é uma empresa pública que controlava a operação de telefonia fixa no
País antes da abertura do mercado. Especulava-se que ela seria extinta após a
privatização, mas continuou a
existir no papel, ainda que, na prática, não possua nenhuma função atualmente.
Agência desconhece assunto
O conselheiro da Anatel Antônio Bedran explicou que não poderia afirmar se há
planos de recriar a estatal porque a agência, como órgão regulador, apenas
implementa as políticas criadas pelo Poder Executivo e não participa de sua
formulação. Bedran explicou que essa é uma questão de governo e vai além de
qualquer ato da Anatel. De acordo com o conselheiro, se o governo quiser prestar
algum tipo de serviço de telecomunicações, precisará de licença, mas qualquer
outro tipo de atividade foge à área de atuação da agência.
Os demais participantes da audiência foram os representantes das empresas que
atuam no mercado. O presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de
Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), Luis Cuza, disse que as
empresas associadas à sua entidade têm o mesmo interesse do governo em explorar
a internet de banda larga no interior do País.
Luis Cuza reconhece que os ganhos sociais com a abertura do setor não foram tão
grandes como se esperava, por causa, segundo ele, da implantação incompleta no
País. "Alguns instrumentos regulatórios previstos por lei até hoje não foram
implementados", disse. Ele acrescentou que o Brasil parece ainda ter dúvida
sobre a sua opção de modelo institucional e um retorno da Telebrás seria um
sintoma dessa dúvida.
Falta de informações
O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico
Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti, reclamou da falta de
informações sobre a retomada dos trabalhos da empresa Telebrás. Ele lembrou que,
entre os objetivos propostos pela Anatel em 1997, estava fortalecer o papel
regulador do Estado e eliminar seu papel de empresário.
De acordo com Pauletti, nos últimos doze anos foram investidos R$ 165 bilhões na
implantação e modernização da infraestrutura. Ele culpou ainda o governo pelas
eventuais falhas na socialização da telefonia no País. "A parte que cabia ao
setor privatizado foi feita, e muito bem feita", disse.
O representante da Associação Nacional de Operadoras de Celulares (Acel), Luis
de Melo Júnior, defendeu a qualidade do serviço de telefonia móvel no País e
garantiu que as cidades do interior ainda sem esse tipo de serviço terão acesso
à telefonia celular nos próximos anos.
Ele questionou a economia que o retorno da Telebrás traria. "O Estado perderá a
prerrogativa de contratar por licitação empresas capacitadas pagando menos para
ganhar uma folha de pagamento mensal, além de gastos com capacitação de pessoal
e para acompanhar a evolução tecnológica", ressaltou.