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Leia na Fonte: Tele.Síntese
[18/10/17]  MCTIC abre consulta sobre o Plano Nacional de Conectividade (Telebras teve suas opções reduzidas) - por Rafael Bucco

Texto propõe diretrizes para políticas públicas de expansão da banda larga fixa e móvel. MCTIC passaria a comandar a implantação de cidades inteligentes, e Telebras não poderia atuar em cidades onde há competição de operadoras.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) lançou hoje a consulta pública que deverá definir o Plano Nacional de Conectividade (PNC), que vai substituir o atual PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). O texto recebe comentários até 17 de novembro, através desta página na internet (clique). É preciso fazer um cadastro para participar.

O PNC será instituído por decreto presidencial e, como esperado, sugere maneiras de financiar a expansão de redes das operadoras por áreas remotas.

Os objetivos, segundo o texto, são facilitar o acesso da população às telecomunicações, promover a inclusão digital, aumentar a competitividade de empresas locais, incentivar o uso e criação de serviços inovadores e estimular pesquisa em tecnologia.

De forma mais objetiva, o decreto pretende aumentar a infraestrutura de banda larga fixa e móvel no país, chegando a áreas que não são atendidas. Afirma que isso deve ser feito sem que se abra mão da “proteção dos direitos dos usuários de telecomunicações, como a privacidade, a transparência nas relações de consumo, entre outras”.

Abre também a possibilidade de subvenção econômica na contratação de planos de banda larga, em áreas em o setor não teria o retorno sobre o investimento.

Cidades inteligentes

Pela minuta, o MCTIC se coloca como o agente responsável por estimular o surgimento de cidades inteligentes no país. A pasta promoverá a implantação de infraestrutura e serviços de TIC usados com essa finalidade. Especialmente, vai incentivar a construção de redes entre órgãos públicos, garantir a existência de pontos WiFi gratuitos para a população, estimular compartilhamento de dados entre “poder público e sociedade na busca de soluções inovadoras a desafios locais”.

O texto garante, ainda, que as operadoras tenham acesso aos equipamentos públicos para implantar suas redes e serviços de telecomunicações, não apenas para atender o setor público. Serão feitas licitações para a cessão dos espaços.

Telebras

A operadora estatal também teve suas opções reduzidas. A tele poderá operar apenas servindo a administração pública federal, estadual ou municipal, a universidades, centros de pesquisa, escolas, hospitais, telecentros etc. Poderá prestar serviços de conexão à internet em banda larga para usuários finais “apenas e tão somente em localidades onde inexista oferta adequada daqueles serviços”.



Leia na Fonte: Valor
[18/10/2017]  MCTIC lança nova política de banda larga sem o entusiasmo das teles - por Rafael Bitencourt e Fábio Pupo

BRASÍLIA  -  O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) lançou nesta quarta-feira (18) a consulta pública com o texto do decreto que definirá a nova política de banda larga do governo. A iniciativa não contou com grande entusiasmo do setor por não ter definido um prazo para alcançar as metas e novas fontes de recursos para financiar a chegada de redes de internet de alta capacidade às sedes de todos os municípios.

O ministro do MCTIC, Gilberto Kassab, afirmou que o governo deve fechar uma estimativa de investimento adicional no setor ao final do período de 30 dias da consulta pública. "Seria inadequado lançar uma estimativa agora, porque poderíamos incorrer em algum erro, mas serão investimentos muito expressivos", disse em entrevista após o lançamento da consulta pública.

Para viabilizar a nova política de banda larga, o governo pretende usar o saldo de conversão dos contratos de concessão do serviço de telefonia fixa em autorização. Tal medida será possível a partir da aprovação do Projeto de Lei da Câmara 79/2016, em tramitação no Senado, e a sua regulamentação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mesmo que o projeto seja aprovado e sancionado pelo presidente Michel Temer, nenhuma medida efetiva deve ser aprovada no órgão regulador ainda neste ano.

Dada a dificuldade de avanço na mudança de lei que libera o uso do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) para banda larga, o governo retirou da proposta o uso de recursos do setor que vem sendo contingenciado para gerar superávit fiscal. A decisão inviabilizou, por exemplo, o "leilão reverso", em que as operadoras poderiam implementar novas infraestruturas mediante o apoio financeiro do fundo.

Outra incerteza sobre a garantia de recursos para o programa envolve a celebração de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) entre a Anatel e as operadoras. Esses acordos, que preveem a troca de valores de multas por investimentos, têm avançado com dificuldade. Recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) resolveu liberar o TAC da Telefônica Vivo que havia sido suspenso no final do ano passado. A primeira proposta de acordo aprovada pela agência, no início do ano passado, beneficiaria a Oi, mas a assinatura foi proibida pelo tribunal em razão da dificuldade financeira enfrentada pela operadora.

Atualmente, as redes de banda larga alcançam somente 60% das cidades brasileiras. A nova política de governo recorre a um conjunto de medidas que, para serem viabilizadas, dependem de mudança em leis e liberação de recursos federais por emendas parlamentares para garantir a expansão do serviço para os 40% das localidades restantes, beneficiando boa parte da população dos 5,57 mil municípios.

A infraestrutura de fibra óptica deve ser usada para cobrir 75% das sedes dos municípios. A tecnologia de sinal de rádio digital de alta capacidade deve viabilizar a entrega do serviço às demais cidades com maior densidade populacional.

Para assegurar a chegada da banda larga também aos vilarejos mais distantes, o governo deve contar com a operação do recém-lançado Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). A Telebras está encarregada de realizar, ainda este ano, uma licitação de oferta de blocos de capacidade de rede às operadoras. Uma das contrapartidas será a oferta de serviço em áreas remotas.

O governo pretende ainda levar a cobertura da quarta geração de telefonia celular (4G) a todas as sedes de municípios. Isso não foi garantido com as obrigações dos leilões de radiofrenquêcias da Anatel. O sinal da terceira geração (3G) deve chegar aos distritos mais populosos não vinculados às sedes dos que deverão contar com o 4G.